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Presidente da Acivale participa de debate da malha ferroviária com a bancada do Sul
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A situação da malha ferroviária em Santa Catarina e as alternativas para o crescimento deste modal de transporte no estado foram os temas principais de uma reunião entre os oito deputados que formam a bancada do Sul do Estado na Assembleia Legislativa e empresários da região. O presidente da Acivale Roberto Michels, participou do encontro, na manhã desta segunda-feira (14), na Associação Comercial e Industrial de Criciúma (Acic), que debateu os projetos em análise, as formas de pressão política e social e as dificuldades enfrentadas para que o transporte ferroviário volte a crescer.

“A reunião basicamente tem este objetivo: discutir a proposta que está elaborada nos projetos originais e fazer as modificações que tecnicamente sejam sugeridas. Daí usar a força política para fazer as modificações. Quando vier o momento da construção, o projeto está pronto”, explicou o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Julio Garcia (PSD).

O deputado Felipe Estevão (PSL) revelou ter se reunido recentemente com o ministro dos Transportes, Tarcísio Gomes de Freitas, e que a resposta foi que não há previsão de investimentos em ferrovias em Santa Catarina, apenas em rodovias.

“Isso pra nós é ruim. A briga agora é levar o que debatemos, o que deliberamos, para uma esfera federal, para que Santa Catarina também esteja inserida neste plano, no radar do governo de ter investimentos em ferrovias”, afirmou Estevão.

“Não é prioridade do governo federal, mas, a partir do momento que o governo federal decida ampliar a malha ferroviária em Santa Catarina, já teremos os projetos prontos, com as devidas correções”, completou Julio Garcia.
“O objetivo desta reunião é alinhar a base parlamentar aqui do Sul com relação a esse projeto, iniciado em 2002 num convênio entre o Estado de Santa Catarina e o Ministério dos Transportes”, explicou o diretor presidente da Ferrovia Tereza Cristina (FTC), Benony Schmitz Filho.


Projeto enfrenta questões ambientais
O projeto original contempla duas malhas ferroviárias principais em Santa Catarina. A primeira interligando a região de Imbituba até Araquari, e a outra ligando o litoral ao Oeste de Santa Catarina.

Na malha litorânea, são dois lotes. O primeiro entre Imbituba e Tijucas, e o segundo, de Tijucas a Araquari. Este segundo lote tem o projeto praticamente pronto. “Mas o trecho de Imbituba a Tijucas enfrentou problemas no Morro dos Cavalos em função da questão indígena. Não houve consenso junto à Funai de passar a ferrovia naquela região”, relembrou o diretor da FTC.
Para ele, este desacordo com a Funai levou o Ministério dos Transportes a estudar outra opção: a interligação da região Sul com o Planalto, chegando à região de Lages, e depois seguindo pela malha que iria do litoral ao Oeste.
 
Para o anfitrião da região, Moacir Dagostin, presidente da Acic, a melhoria do transporte ferroviário vai desenvolver não só o porto de Imbituba, mas todo o Estado. “A logística do Oeste, que está indo para os portos do Paraná, poderá utilizar os portos de Santa Catarina, gerando mais empregos, mais renda, mais impostos. Esses são os nossos objetivos”, avaliou Dagostin.

 
Outras prioridades


Para Schmitz, além de discutir as alternativas para crescimento do transporte ferroviário no Sul catarinense e em todo o estado, o encontro começou a dar forma a uma questão bastante importante: as prioridades de infraestrutura para Santa Catarina. Entre as opções listadas por ele, estão duplicar as rodovias, buscar outro modal terrestre que tenha maior capacidade de transporte ou mesmo usar o transporte aeroviário.
“São modais que têm suas características e custos diferentes. Qual o melhor para Santa Catarina? Isso que a gente tem que discutir. E sair desta inércia que não pode terminar o projeto por uma questão indígena, por causa do Morro dos Cavalos. Temos que buscar alternativa. E tem alternativa”, disse Schmitz.
A avaliação dele é de que não dá para deixar essa decisão e essa pressão apenas nas mãos dos empresários. “É importante que a classe política se envolva nisso, que toda a sociedade de Santa Catarina pense nisso e possa, futuramente, ter uma solução que seja melhor para o estado”, finalizou.